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domingo, 30 de janeiro de 2011

Poema: A abstenção ganhou por maioria

Mais um acto eleitoral, desta vez para a presidência da República, nos resultados finais cresce a abstenção, há uma parte significativa de eleitores,
que por desinteresse, por preguiça ou por doença, não vai votar, número crescente, que já ultrapassa os 50% do eleitorado.
Sobre esse tema eu fiz este poema.

A abstenção é o maior partido
E tem uma força muito séria
Mas de que serve essa força
Se não tem voto na matéria?

A abstenção é um partido
Dos desiludidos e doentes
E dos muitos preguiçosos
Que estão sempre ausentes

A abstenção é em Portugal
O partido da abstinência
É o maior, mas não governa
Por falta de comparência

A ditadura prendia aqueles
Que contra ela, lutavam
Votavam todos da situação
Lá, até os mortos votavam

A abstenção é o partido
Dos vencidos desta vida
Dos que não esperam vencer
E já estão vencidos à partida

Qualquer voto na abstenção
Não é derrota, nem é vitória
É um voto na continuidade
Que nunca mudará a história

Aquele que não se identifica
Com nenhum partido às eleições
Tem o voto branco e o voto nulo
Pode votar numa dessas opções

O abstinente vive acomodado
E todo o governo lhe fica bem
Não se pode queixar do governo
Porque não votou em ninguém

Hoje que vivemos em liberdade
Como noutro tempo não havia
Se quem pode votar, não vota
Algo vai mal, nesta democracia