domingo, 30 de maio de 2010

Poema: A crise dum modo de vida insustentável

Fala-se hoje, muito de crise e das dificuldades que temos para a ultrapassar.
Mas o que é uma crise?
As crises são desajustamentos entre o que se fez e o que se deveria ter feito. Quando crescemos, as roupas ficam curtas e isso obriga-nos a fazer ajustamentos que implicam mais despesas e também mais sacrifícios, são as crises de crescimento.
Mas no caso da crise económica que atravessamos, ela foi devida a erros cometidos por alguns e que atingem a todos, foram feitas coisas que não deveriam de ter sido feitas e que não podem continuar a ser feitas.
Não vou aqui falar dos culpados, isso será abordado num outro poema. Agora temos de corrigir esses erros e tornar o nosso modo de vida mais sustentável. Foi essa abordagem que quis fazer neste poema.


Erros meus, má fortuna
Ou má cabeça simplesmente
Fizemos vidas impossíveis
Que a vida, não consente

Ninguém pode dar o salto
Maior, que a perna que tem
Não se pode gastar tudo hoje
Pode fazer falta, amanhã

Quem não tem asas para voar
Só deveria de andar a pé
Porque todos querem ser iguais
Mas a vida mostra, que não é

Navegámos na crista da onda
Parecia dinheiro em caixa
Mas a vida, tal como a maré
Umas vezes sobe e outras baixa

Provámos todos os excessos
Com o entusiasmo duma criança
Julgámos ter o mundo na mão
Mas a vida, é feita de mudança

Vivêmos tempos de abundância
Tivemos o que nunca tivemos
Fizemos o que não devíamos
E o que devíamos, não fizemos

Não respeitámos os limites
Atrás da felicidade prometida
Sonhámos demasiado alto
E esquecemos a própria vida

O que importa não é a queda
Há que levantar e prosseguir
Dar passos certos e seguros
Para não voltarmos a cair

Agora para enfrentar a crise
Ninguém perca a esperança
Vamos começar tudo de novo
Como nos tempos de criança

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