Passado um mês depois das cheias da Ilha da Madeira, aproveitei o tempo para reflectir sobre a tragédia. Este poema, vem em certa medida abordar a relação do homem com a Natureza. O homem tem afrontado muitas vezes as forças da Natureza, indo para além do razoável e depois a Natureza cobra o seu preço, trazendo a morte e a destruição. Os erros só são maus, se não aprendermos nada com eles.
Ninguém rouba,o leito ao rio
Porque o rio, não vai deixar
O rio cala, mas não consente
O que perdeu, ele vai buscar
Os erros pagam-se caros
Porque são becos sem saída
Eles obrigam-nos a voltar atrás
Para salvarmos a própria vida
Quem constrói em leito de cheia
Arrisca a vida, em tal ousadia
Porque o rio, não deixa impune
Quem ousou desafiá-lo um dia
Quando o rio galga a margem
Dizem que o rio enlouqueceu
E acusam o rio de selvagem
Porque foi buscar, o que é seu
Chove muito e o rio cresce
Espalha a morte e a destruição
Dizem que o rio é traiçoeiro
É um selvagem sem coração
Não se engana a Natureza
Como o homem sempre faz
Quando engana outros homens
Ele semeia a guerra e não a paz
O rio é um bem para todos
Precisamos dele para viver
Se o soubermos respeitar
Ele até nos sabe obedecer
O rio é uma fonte de vida
E até nos ensina a nadar
Mas não deixa sem castigo
Quem não o sabe respeitar
O rio rega e fertiliza os campos
Mata a sede e produz energia
E se o soubermos respeitar
Ele vive connosco em harmonia
domingo, 28 de março de 2010
sábado, 6 de março de 2010
Poema: Simone de Oliveira, aniversariante de Fevereiro
A minha homenagem deste mês vai para Simone de Oliveira, grande artista da canção e do teatro que nos tem encantado na sua longa carreira artística.
Não ficam esquecidas outras figuras públicas, que também fazem anos este mês, pois é minha ideia falar delas no próximo ano, mas será uma de cada vez.
Quero por isso endereçar aqui, os meus parabéns a todos aqueles que fizeram anos no mês de Fevereiro.
Parabéns!
Simone de Oliveira nasceu
Em Fevereiro, mês do Carnaval
Foi vedeta da canção ligeira
Rainha da Rádio em Portugal
Cantou "Glória glória aleluia"
E "Sempre que Lisboa canta"
Poemas de Torga e de Pessoa
E versos de Florbela Espanca
Em "Esta Lisboa que eu amo"
Cantou Música no Coração
Com a canção "Sol de Inverno"
Ganhou o Festival da Canção
Ela cantou tantas cantigas
E os seus êxitos foram tantos
Cantou "A Desfolhada"
Poema de Ary dos Santos
Cantava com tanta força
Que um dia perdeu a voz
Fez teatro e telenovelas
Para encanto de todos nós
Entrou em teatro de Revista
Quando havia revista no Parque
Simone cantou "A Banda"
Escrita pelo Chico Buarque
Simone de Oliveira é artista
Com muita garra e muito brio
No teatro de Filipe La Féria
Fez "Passa por mim no Rossio"
Fez Vila Faia e Roseira Brava
E fez o Piano Bar na televisão
Cantou e foi artista de teatro
Simone fez tudo com paixão
Parabéns aos aniversariantes
De Fevereiro, mês do Carnaval
Brinquem todos, sem exageros
Não vá alguém, levar a mal
Não ficam esquecidas outras figuras públicas, que também fazem anos este mês, pois é minha ideia falar delas no próximo ano, mas será uma de cada vez.
Quero por isso endereçar aqui, os meus parabéns a todos aqueles que fizeram anos no mês de Fevereiro.
Parabéns!
Simone de Oliveira nasceu
Em Fevereiro, mês do Carnaval
Foi vedeta da canção ligeira
Rainha da Rádio em Portugal
Cantou "Glória glória aleluia"
E "Sempre que Lisboa canta"
Poemas de Torga e de Pessoa
E versos de Florbela Espanca
Em "Esta Lisboa que eu amo"
Cantou Música no Coração
Com a canção "Sol de Inverno"
Ganhou o Festival da Canção
Ela cantou tantas cantigas
E os seus êxitos foram tantos
Cantou "A Desfolhada"
Poema de Ary dos Santos
Cantava com tanta força
Que um dia perdeu a voz
Fez teatro e telenovelas
Para encanto de todos nós
Entrou em teatro de Revista
Quando havia revista no Parque
Simone cantou "A Banda"
Escrita pelo Chico Buarque
Simone de Oliveira é artista
Com muita garra e muito brio
No teatro de Filipe La Féria
Fez "Passa por mim no Rossio"
Fez Vila Faia e Roseira Brava
E fez o Piano Bar na televisão
Cantou e foi artista de teatro
Simone fez tudo com paixão
Parabéns aos aniversariantes
De Fevereiro, mês do Carnaval
Brinquem todos, sem exageros
Não vá alguém, levar a mal
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134- Aniversários
Poema: Marco Paulo, aniversariante de Janeiro
É minha vontade prestar aqui homenagem às figuras públicas que fazem anos neste mês. Para além do apreço que eles nos merecem, eles fazem parte do nosso imaginário colectivo e marcaram de algum modo as nossas vidas.
Aqui vai a minha homenagem que é também extensível a todas as pessoas que nasceram neste mês de Janeiro.
Parabéns!
Ele nasceu no Alentejo
No concelho de Mourão
É o cantor Marco Paulo
Grande nome da canção
Foi disco de ouro e platina
De muitas das suas canções
Marco Paulo canta e encanta
E vende discos aos milhões
Canta "Ninguém, ninguém"
E a "Morena, morenita"
O "Coração maravilhoso"
E canta "Joana" e "Anita"
"Eu tenho dois amores
Que em nada são iguais "
Marco Paulo em Portugal
É o cantor que vende mais
Foi ao Festival da Canção
Com a canção "Sou tão feliz"
E canta "Nasci para cantar"
Porque o povo, assim o quis
Recebeu um disco de prata
Com o álbum "Sedução"
E com a "Flor sem nome"
Repetiu o mesmo galardão
Premiada com disco de ouro
A canção "Morena, morenita"
Voltou a bisar Disco de Ouro
A cantar a canção da "Anita"
Fez "Eu tenho dois amores"
Seu programa na televisão
Ele fez mais outro programa
Chamado "Música no Coração"
Parabéns aos aniversariantes
Cantem as Janeiras ou não
Tenham um bom Ano Novo
Com muito amor no coração
Aqui vai a minha homenagem que é também extensível a todas as pessoas que nasceram neste mês de Janeiro.
Parabéns!
Ele nasceu no Alentejo
No concelho de Mourão
É o cantor Marco Paulo
Grande nome da canção
Foi disco de ouro e platina
De muitas das suas canções
Marco Paulo canta e encanta
E vende discos aos milhões
Canta "Ninguém, ninguém"
E a "Morena, morenita"
O "Coração maravilhoso"
E canta "Joana" e "Anita"
"Eu tenho dois amores
Que em nada são iguais "
Marco Paulo em Portugal
É o cantor que vende mais
Foi ao Festival da Canção
Com a canção "Sou tão feliz"
E canta "Nasci para cantar"
Porque o povo, assim o quis
Recebeu um disco de prata
Com o álbum "Sedução"
E com a "Flor sem nome"
Repetiu o mesmo galardão
Premiada com disco de ouro
A canção "Morena, morenita"
Voltou a bisar Disco de Ouro
A cantar a canção da "Anita"
Fez "Eu tenho dois amores"
Seu programa na televisão
Ele fez mais outro programa
Chamado "Música no Coração"
Parabéns aos aniversariantes
Cantem as Janeiras ou não
Tenham um bom Ano Novo
Com muito amor no coração
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128- Aniversários
Poema: As mulheres querem-se bonitas
Neste mês de Março em que se celebra o Dia da Mulher, este poema é uma homenagem a todas as mulheres, bonitas e feias, porque todas são mulheres e devem merecer o nosso carinho.
Esta sociedade faz a apologia das mulheres mais belas, criando nas outras uma grande frustação, esta ideia tem de ser combatida e este poema, apesar de dizer que "as mulheres querem-se bonitas", tem uma palavra de apreço, para as que não tão belas e tenta desmistificar essa ideia.
Perdoem-me as mais feias
Mas a beleza é fundamental
Não devemos de comparar
Uma rosa com a flor do batatal
Perdoem-me as mais belas
Tão bonitas como actrizes
Mas nem sempre são elas
As mulheres mais felizes
Ser bela é uma grande ajuda
Mas também pode ser fatal
A beleza que atrai o bem
Também pode atrair o mal
Dois seios, bem cheios
Roliços e palpitantes
Fazem o homem atrevido
E as mulheres provocantes
Nádegas e pernas torneadas
Com seu andar ondulante
Levam o homem ao paraíso
Ali tão perto, num instante
As mulheres querem-se bonitas
Mas há também quem diga
Mulher bela é só para homens
Com mais olhos que barriga
Desenganem-se as mais belas
Que a beleza não dura sempre
E quando a velhice chegar
A decadência é mais deprimente
Não pensem as mulheres belas
Que têm todos os trunfos na mão
Porque nem sempre a beleza
Vem acompanhada pela razão
E as feias, não fiquem tristes
Que não irão ficar para tias
Desenvolvam outros dons
E não lhe faltarão, simpatias
Esta sociedade faz a apologia das mulheres mais belas, criando nas outras uma grande frustação, esta ideia tem de ser combatida e este poema, apesar de dizer que "as mulheres querem-se bonitas", tem uma palavra de apreço, para as que não tão belas e tenta desmistificar essa ideia.
Perdoem-me as mais feias
Mas a beleza é fundamental
Não devemos de comparar
Uma rosa com a flor do batatal
Perdoem-me as mais belas
Tão bonitas como actrizes
Mas nem sempre são elas
As mulheres mais felizes
Ser bela é uma grande ajuda
Mas também pode ser fatal
A beleza que atrai o bem
Também pode atrair o mal
Dois seios, bem cheios
Roliços e palpitantes
Fazem o homem atrevido
E as mulheres provocantes
Nádegas e pernas torneadas
Com seu andar ondulante
Levam o homem ao paraíso
Ali tão perto, num instante
As mulheres querem-se bonitas
Mas há também quem diga
Mulher bela é só para homens
Com mais olhos que barriga
Desenganem-se as mais belas
Que a beleza não dura sempre
E quando a velhice chegar
A decadência é mais deprimente
Não pensem as mulheres belas
Que têm todos os trunfos na mão
Porque nem sempre a beleza
Vem acompanhada pela razão
E as feias, não fiquem tristes
Que não irão ficar para tias
Desenvolvam outros dons
E não lhe faltarão, simpatias
Poema: A violência é um atentado à liberdade
Escrevi este poema para falar da violência doméstica. Esta realidade não é de agora, vem provavelmente desde o princípio da humanidade e chegou até aos nossos dias, porque tem sido tolerada e até aceite como "necessária" para manter a autoridade.
Este fenómeno da violência doméstica, que a maioria de nós julgava atingir só as mulheres, está a alargar-se e atinge também os homens, dizem as estatísticas que são quase 20% dos casos de violência doméstica.
O casamento sempre foi um luta pelo poder, que o amor conseguia diluir, mas as carências económicas ou afectivas acentuaram. Mas outras violências existem na nossa sociedade, toda ela muito violenta e que é preciso combater, para que a vida não se torne numa selva, onde impere a lei do mais forte.
Se um homem fala mais alto
Para manter a autoridade
É logo acusado de violência
Pelo resto da comunidade
Mas se um homem não diz nada
E cada um faz, aquilo que quer
Dizem que não tem personalidade
E até leva porrada da mulher
Perante tanta contestação
Que há-de um homem fazer?
Tanto é preso por ter cão
Como é preso, por não ter
O assunto, é demasiado sério
Para ser levado a brincar
Nós vemos, ouvimos e lemos
Mas continuamos a ignorar
São vítimas da violência
Crianças, mulheres e idosos
A violência é uma arma
Na mão dos poderosos
A violência dos tiranos
Persegue e tortura sem piedade
A violência é em toda a parte
Um atentado à liberdade
Para acabar com a tirania
Dos reis do império do medo
Denunciemo-los à sociedade
Em vez de guardar segredo
Lutemos, contra toda a violência
Em casa, na escola, na estrada
Em vez de fechar os olhos e dizer
Não sei, aqui? não se passa nada
Todos falam da violência do rio
Que destrói tudo à passagem
Mas ninguém fala da violência
Que as margens ao rio fazem
Este fenómeno da violência doméstica, que a maioria de nós julgava atingir só as mulheres, está a alargar-se e atinge também os homens, dizem as estatísticas que são quase 20% dos casos de violência doméstica.
O casamento sempre foi um luta pelo poder, que o amor conseguia diluir, mas as carências económicas ou afectivas acentuaram. Mas outras violências existem na nossa sociedade, toda ela muito violenta e que é preciso combater, para que a vida não se torne numa selva, onde impere a lei do mais forte.
Se um homem fala mais alto
Para manter a autoridade
É logo acusado de violência
Pelo resto da comunidade
Mas se um homem não diz nada
E cada um faz, aquilo que quer
Dizem que não tem personalidade
E até leva porrada da mulher
Perante tanta contestação
Que há-de um homem fazer?
Tanto é preso por ter cão
Como é preso, por não ter
O assunto, é demasiado sério
Para ser levado a brincar
Nós vemos, ouvimos e lemos
Mas continuamos a ignorar
São vítimas da violência
Crianças, mulheres e idosos
A violência é uma arma
Na mão dos poderosos
A violência dos tiranos
Persegue e tortura sem piedade
A violência é em toda a parte
Um atentado à liberdade
Para acabar com a tirania
Dos reis do império do medo
Denunciemo-los à sociedade
Em vez de guardar segredo
Lutemos, contra toda a violência
Em casa, na escola, na estrada
Em vez de fechar os olhos e dizer
Não sei, aqui? não se passa nada
Todos falam da violência do rio
Que destrói tudo à passagem
Mas ninguém fala da violência
Que as margens ao rio fazem
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Poema: Os amores imperfeitos
S. Valentim celebra o dia dos Namorados, pois este poema é dedicado aos divorciados. Os divórcios são hoje uma realidade, que não podemos ignorar, quer concordemos ou não, com eles.
Antes do 25 de Abril de 1974, havia poucos divórcios e os casamentos religiosos não o permitiam, mas a revisão da Concordata, veio permiti-lo. Há os que defendem a hipótese de voltar atrás, quando se erra e há os outros que defendem que o erro é para levar até à morte, como se a proibição do divórcio fosse um seguro de vida para os maus casamentos. Em tempos de rupturas, a sociedade acabará por encontrar novos equilibrios. Mas como dizia Camões: Mudam-se os tempos e mudam-se as vontades...
Este poema pretende falar desse novo estado civil: os divorciados.
Há o dia do Pai e da Mãe
E há o dia dos Namorados
Há o dia disto e daquilo, mas
Não há o Dia dos Divorciados
Há quem faça como a abelha
E passe a vida de flor em flor
Porque assim é que é viver
Porque assim é que é amor
Há quem veja no casamento
Boa ocasião para enriquecer
Mas como em tudo na vida
Ninguém joga, para perder
Vemos casamentos tão lindos
E tão cheios de contradições
Que mais parece um filme
Cheio de polícias e ladrões
Há quem procure no casamento
Mais que uma toca e um buraco
E veja no casamento uma mina
Onde vai poder encher o saco
Há casamentos tão bonitos
Que se desfazem numa hora
São como panelas de pressão
Que rebentam ou deitam fora
Alfaces, pepinos e tomates
Dão para fazer uma boa salada
Mas não se faz um casamento
Só com amor... e mais nada
Há casamentos que duram pouco
Dura o tempo que dura a festa
Mas depois é preciso lavar a loiça
E casamento assim? Não presta
Quem não se quer divorciar
Fique toda a vida solteiro
E se um dia resolver casar
Pense duas vezes, primeiro
Antes do 25 de Abril de 1974, havia poucos divórcios e os casamentos religiosos não o permitiam, mas a revisão da Concordata, veio permiti-lo. Há os que defendem a hipótese de voltar atrás, quando se erra e há os outros que defendem que o erro é para levar até à morte, como se a proibição do divórcio fosse um seguro de vida para os maus casamentos. Em tempos de rupturas, a sociedade acabará por encontrar novos equilibrios. Mas como dizia Camões: Mudam-se os tempos e mudam-se as vontades...
Este poema pretende falar desse novo estado civil: os divorciados.
Há o dia do Pai e da Mãe
E há o dia dos Namorados
Há o dia disto e daquilo, mas
Não há o Dia dos Divorciados
Há quem faça como a abelha
E passe a vida de flor em flor
Porque assim é que é viver
Porque assim é que é amor
Há quem veja no casamento
Boa ocasião para enriquecer
Mas como em tudo na vida
Ninguém joga, para perder
Vemos casamentos tão lindos
E tão cheios de contradições
Que mais parece um filme
Cheio de polícias e ladrões
Há quem procure no casamento
Mais que uma toca e um buraco
E veja no casamento uma mina
Onde vai poder encher o saco
Há casamentos tão bonitos
Que se desfazem numa hora
São como panelas de pressão
Que rebentam ou deitam fora
Alfaces, pepinos e tomates
Dão para fazer uma boa salada
Mas não se faz um casamento
Só com amor... e mais nada
Há casamentos que duram pouco
Dura o tempo que dura a festa
Mas depois é preciso lavar a loiça
E casamento assim? Não presta
Quem não se quer divorciar
Fique toda a vida solteiro
E se um dia resolver casar
Pense duas vezes, primeiro
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39-Sociedade
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Poema: No meu tempo é que era bom
Este poema faz a abordagem dum tema, muito querido aos mais velhos,que é dizer que, o tempo deles, quando eram mais novos, é que era bom,mas, analisando bem as coisas, desse tempo vemos que não era assim tão bom.
Muitas vezes comparam esse tempo com os tempos de agora, que tem coisas melhores e coisas piores, mas parte dessa "maldicência" revelam um desajuste dos mais velhos aos novos tempos.
No meu tempo é que era bom
Diziam os velhos de outrora
Hoje, nós dizemos o mesmo
Aos nossos jovens, de agora
Que belos tempos foram esses
Que muitos de nós abandonámos
Tempo dos avós do pé descalço
Da pobreza e fome que passámos
Que havia de bom nesse tempo?
Éramos novos e havia ambição
Queríamos uma vida melhor
Que a vida, que tinhamos então
Já não vemos crianças na rua
Dizia-me um amigo preocupado
Elas estão fechadas em casa
E o computador, é o culpado
É preciso ensinar as crianças
A jogar a bola e ao pião
Tal como fazíamos na infância
Mas computadores? Isso não!!!
Pôr as culpas no computador
Essa é de bradar aos céus
É como querer, que toda a gente
Volte de novo, a usar chapéus
Há outras razões para isso
Basta olhar à volta e ver
Os casais quase não têm filhos
E não há condições para os ter
Onde estão as mães de hoje?
Trabalham para ajudar a família
Ajudam a pagar a casa e o carro
A creche, a escola e a mobília
Onde estão as ruas e os jardins ?
Os passeios que eram do peão?
Não há, estão cheios de carros
Então? Há mais culpados ou não?
Muitas vezes comparam esse tempo com os tempos de agora, que tem coisas melhores e coisas piores, mas parte dessa "maldicência" revelam um desajuste dos mais velhos aos novos tempos.
No meu tempo é que era bom
Diziam os velhos de outrora
Hoje, nós dizemos o mesmo
Aos nossos jovens, de agora
Que belos tempos foram esses
Que muitos de nós abandonámos
Tempo dos avós do pé descalço
Da pobreza e fome que passámos
Que havia de bom nesse tempo?
Éramos novos e havia ambição
Queríamos uma vida melhor
Que a vida, que tinhamos então
Já não vemos crianças na rua
Dizia-me um amigo preocupado
Elas estão fechadas em casa
E o computador, é o culpado
É preciso ensinar as crianças
A jogar a bola e ao pião
Tal como fazíamos na infância
Mas computadores? Isso não!!!
Pôr as culpas no computador
Essa é de bradar aos céus
É como querer, que toda a gente
Volte de novo, a usar chapéus
Há outras razões para isso
Basta olhar à volta e ver
Os casais quase não têm filhos
E não há condições para os ter
Onde estão as mães de hoje?
Trabalham para ajudar a família
Ajudam a pagar a casa e o carro
A creche, a escola e a mobília
Onde estão as ruas e os jardins ?
Os passeios que eram do peão?
Não há, estão cheios de carros
Então? Há mais culpados ou não?
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114-Idosos
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Poema: Baile mandado da terceira idade
Falar da chamada terceira idade, ou dos idosos ou dos séniores que é tudo a mesma coisa para não lhe chamarmos velhos. Porque a velhice é vista como um tempo de decadência onde se perderam todas as razões para viver plenamente.
Para contrariar essa visão derrotista, eu pretendi abordar neste poema alguns dos aspectos marcantes da velhice que são: a tristeza, a solidão, a morte, as insónias, as doenças e o facto de se ser velho.
Tudo isso foi aqui focado mas duma forma optimista e dando novo alento aos vencidos da vida. Pois devemos viver até morrer e o melhor possível, porque muita da nossa velhice foi interiorizada e aceite por nós.
Toca a andar toca a mexer
Não quero ver ninguém parado
Só os mortos não se mexem
E não vão a nenhum lado
Não vão a nenhum lado
Não vão a parte nenhuma
O gato tem sete vidas
E eu tenho apenas uma
Foi na semana passada
Que a minha sogra morreu
Antes ela que a filha
E antes a filha que eu
Casou o viúvo com a viúva
Para curtirem seu desgosto
Uma pedra ampara a outra
É sempre bom ter um encosto
Toca a andar toca a mexer
Não quero ver ninguém parado
Se désse ouvidos à tristeza
Passava a vida amargurado
Passava a vida amargurado
E a tristeza não ia acabar
Se désse ouvidos à tristeza
Passava a vida a chorar
Tristezas não pagam dívidas
Nunca tal coisa aconteceu
Ninguém paga as minhas dívidas
As minhas dívidas, pago eu
Quem canta seus males espanta
Vamos lá dançar e cantar
Enquanto o pau vai e vem
Estão as costas a folgar
Toca a andar toca a mexer
Não quero ver ninguém parado
Quem tem insónias dorme de dia
C’um olho aberto e outro fechado
Veio a insónia visitar-me
E pôs-se a contar a sua vida
Não preguei olho toda a noite
Passei uma noite mal dormida
Voltou de novo a espertalhona
Não liguei pus-me a cantar
Vieram os vizinhos do prédio
E mandaram-me todos calar
Contei-lhes o sucedido
Eles fartaram-se de rir
Dormi o resto da noite
E eles ficaram sem dormir
Toca a andar, toca a mexer
Não quero ver ninguém parado
Se já estão fartos de mim
Vou cantar para outro lado
Vou cantar para outro lado
Vou cantar para outra banda
Quem tem pernas para andar
Diga lá...porque não anda?
No campeonato da 3ª idade
Não há jogo nem jogadores
Neste jogo, ninguém joga
Todos se queixam com dores
Dói aqui e dói ali
Dói em cima e dói em baixo
Ninguém tem mais dores que eu
Desculpe…mas eu não acho
Toca a andar toca a mexer
Não quero ver ninguém parado
Anda o tolo a apanhar chuva
E diz que não fica molhado
Está um frio de rachar
Quero de novo cá o Verão
Vou escrever ao S. Pedro
Não quero mais Inverno, não
Veio o Verão e está calor
Passo todo tempo aflito
Vou escrever ao S. Pedro
Vou dar o dito, por não dito
Muda o tempo e tenho dores
Se não muda, tenho também
A culpa será mesmo do tempo
Ou é da idade que a gente tem
Toca a andar toca a mexer
Não quero ver ninguém parado
Pensam os novos no futuro
E os velhos no passado
Vou fazer dieta de anos
Para a idade emagrecer
Fazer meio ano em cada ano
Para não envelhecer
Queria voltar a ser novo
Para fazer o que não fiz
Sabendo aquilo que sei hoje
Seria então, muito mais feliz
Quem não se poupa p'ra velhice
Chega a velho e velho está
Quem gasta tudo, o que tem hoje
Amanhã quer, mas já não há
Para contrariar essa visão derrotista, eu pretendi abordar neste poema alguns dos aspectos marcantes da velhice que são: a tristeza, a solidão, a morte, as insónias, as doenças e o facto de se ser velho.
Tudo isso foi aqui focado mas duma forma optimista e dando novo alento aos vencidos da vida. Pois devemos viver até morrer e o melhor possível, porque muita da nossa velhice foi interiorizada e aceite por nós.
Toca a andar toca a mexer
Não quero ver ninguém parado
Só os mortos não se mexem
E não vão a nenhum lado
Não vão a nenhum lado
Não vão a parte nenhuma
O gato tem sete vidas
E eu tenho apenas uma
Foi na semana passada
Que a minha sogra morreu
Antes ela que a filha
E antes a filha que eu
Casou o viúvo com a viúva
Para curtirem seu desgosto
Uma pedra ampara a outra
É sempre bom ter um encosto
Toca a andar toca a mexer
Não quero ver ninguém parado
Se désse ouvidos à tristeza
Passava a vida amargurado
Passava a vida amargurado
E a tristeza não ia acabar
Se désse ouvidos à tristeza
Passava a vida a chorar
Tristezas não pagam dívidas
Nunca tal coisa aconteceu
Ninguém paga as minhas dívidas
As minhas dívidas, pago eu
Quem canta seus males espanta
Vamos lá dançar e cantar
Enquanto o pau vai e vem
Estão as costas a folgar
Toca a andar toca a mexer
Não quero ver ninguém parado
Quem tem insónias dorme de dia
C’um olho aberto e outro fechado
Veio a insónia visitar-me
E pôs-se a contar a sua vida
Não preguei olho toda a noite
Passei uma noite mal dormida
Voltou de novo a espertalhona
Não liguei pus-me a cantar
Vieram os vizinhos do prédio
E mandaram-me todos calar
Contei-lhes o sucedido
Eles fartaram-se de rir
Dormi o resto da noite
E eles ficaram sem dormir
Toca a andar, toca a mexer
Não quero ver ninguém parado
Se já estão fartos de mim
Vou cantar para outro lado
Vou cantar para outro lado
Vou cantar para outra banda
Quem tem pernas para andar
Diga lá...porque não anda?
No campeonato da 3ª idade
Não há jogo nem jogadores
Neste jogo, ninguém joga
Todos se queixam com dores
Dói aqui e dói ali
Dói em cima e dói em baixo
Ninguém tem mais dores que eu
Desculpe…mas eu não acho
Toca a andar toca a mexer
Não quero ver ninguém parado
Anda o tolo a apanhar chuva
E diz que não fica molhado
Está um frio de rachar
Quero de novo cá o Verão
Vou escrever ao S. Pedro
Não quero mais Inverno, não
Veio o Verão e está calor
Passo todo tempo aflito
Vou escrever ao S. Pedro
Vou dar o dito, por não dito
Muda o tempo e tenho dores
Se não muda, tenho também
A culpa será mesmo do tempo
Ou é da idade que a gente tem
Toca a andar toca a mexer
Não quero ver ninguém parado
Pensam os novos no futuro
E os velhos no passado
Vou fazer dieta de anos
Para a idade emagrecer
Fazer meio ano em cada ano
Para não envelhecer
Queria voltar a ser novo
Para fazer o que não fiz
Sabendo aquilo que sei hoje
Seria então, muito mais feliz
Quem não se poupa p'ra velhice
Chega a velho e velho está
Quem gasta tudo, o que tem hoje
Amanhã quer, mas já não há
Poema: Unisexo, é pró menino e prá menina
Vivêmos 50 anos um tempo demasiado parado, agarrados a preconceitos que tornaram as nossas vidas cinzentas, seguiu-se um período de revolução política que libertou muitos dos nossos sonhos e veio alterar os modos de vida.
A emancipação da mulher teve um aliado no pronto a vestir que rapidamente se impôs e ditou as suas leis. Todas essas mudanças, e o ritmo a que foram feitas, vieram baralhar as nossas referências. É esse tema que aqui é tratado neste poema.
Deu numa grande confusão
A emancipação feminina
Já quase não há distinção
Entre o menino e a menina
Com a moda do unissexo
As roupas, são todas iguais
Tudo é fabricado em série
Fabricar em série rende mais
Os rapazes usam calças
E as meninas, usam também
A mãe, usa as calças do pai
E o pai, usa as calças da mãe
Já quase não há diferenças
Entre a fêmea e o macho
Só despidos é que sabemos
Aquilo, que está por baixo
Cabelos curtos ou compridos
Tanto usam eles, como elas
Há cada vez menos diferenças
Entre os tachos e as panelas
Dantes, usavam elas brincos
Hoje, usam eles os manganões
Eles usam os brincos delas
Mas que grandes brincalhões
No passado, só ela se depilava
Hoje, também ele faz depilação
Se acabam com as diferenças
Também se acaba a atracção
Procura o homem na mulher
Aquilo que o homem não tem
Mas se ambos forem iguais
Ninguém, procura ninguém
Respeito e igualdade, sim!
Mas igualdade nos corpos? Não!
Continue a mulher a ser menina
E o homem continue a ser rapazão
A emancipação da mulher teve um aliado no pronto a vestir que rapidamente se impôs e ditou as suas leis. Todas essas mudanças, e o ritmo a que foram feitas, vieram baralhar as nossas referências. É esse tema que aqui é tratado neste poema.
Deu numa grande confusão
A emancipação feminina
Já quase não há distinção
Entre o menino e a menina
Com a moda do unissexo
As roupas, são todas iguais
Tudo é fabricado em série
Fabricar em série rende mais
Os rapazes usam calças
E as meninas, usam também
A mãe, usa as calças do pai
E o pai, usa as calças da mãe
Já quase não há diferenças
Entre a fêmea e o macho
Só despidos é que sabemos
Aquilo, que está por baixo
Cabelos curtos ou compridos
Tanto usam eles, como elas
Há cada vez menos diferenças
Entre os tachos e as panelas
Dantes, usavam elas brincos
Hoje, usam eles os manganões
Eles usam os brincos delas
Mas que grandes brincalhões
No passado, só ela se depilava
Hoje, também ele faz depilação
Se acabam com as diferenças
Também se acaba a atracção
Procura o homem na mulher
Aquilo que o homem não tem
Mas se ambos forem iguais
Ninguém, procura ninguém
Respeito e igualdade, sim!
Mas igualdade nos corpos? Não!
Continue a mulher a ser menina
E o homem continue a ser rapazão
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102-Juventude
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Poema: "Os saldos são uma loucura"
Numa sociedade consumista, todas as oportunidades para comprar mais, por menos dinheiro, são sempre benvindas, mas muitas vezes deparamos com saldos, que não são verdadeiros saldos e por isso, podem "saldar-se" por uma desilusão.
Mas na voragem do consumo, vende-se muito gato por lebre, os vendedores fazem o seu papel e os consumidores devem fazer o seu. Este poema retrata as situações com que deparamos em época de saldos.
Os saldos são uma loucura
Como estes, não me lembro
Os saldos começam em Janeiro
E só acabam em Dezembro
Está na hora de deitar fora
Todos os monos do armazém
Saldam-se peças com medidas
Que não servem a ninguém
Chegada a época dos saldos
Anda toda a gente numa fona
Todos a quererem comprar
Peças ao preço da uva mijona
Há quem fabrique para saldos
E venda muito, a muita gente
Produtos de baixa qualidade
A comprador, pouco exigente
Quem tem dinheiro não espera
E compra durante todo o ano
Muitas vezes, o barato sai caro
E os saldos, são um engano
Os saldos deveriam de ser
As sobras do fim da estação
Mas há fábricas a produzir
Para vender nesta ocasião
Escolha bem o seu artigo
No momento de comprar
O lojista diz que não troca
Mas é obrigado, só se esgotar
É a grande loucura dos saldos
A preços imbatíveis, arrasantes
Todos acham os preços loucos
Loucos? eram os preços antes
Os lojistas baixam os preços
Para bater a concorrência
Com tanta baixa e rebaixa
Um dia, ainda vão à falência
Mas na voragem do consumo, vende-se muito gato por lebre, os vendedores fazem o seu papel e os consumidores devem fazer o seu. Este poema retrata as situações com que deparamos em época de saldos.
Os saldos são uma loucura
Como estes, não me lembro
Os saldos começam em Janeiro
E só acabam em Dezembro
Está na hora de deitar fora
Todos os monos do armazém
Saldam-se peças com medidas
Que não servem a ninguém
Chegada a época dos saldos
Anda toda a gente numa fona
Todos a quererem comprar
Peças ao preço da uva mijona
Há quem fabrique para saldos
E venda muito, a muita gente
Produtos de baixa qualidade
A comprador, pouco exigente
Quem tem dinheiro não espera
E compra durante todo o ano
Muitas vezes, o barato sai caro
E os saldos, são um engano
Os saldos deveriam de ser
As sobras do fim da estação
Mas há fábricas a produzir
Para vender nesta ocasião
Escolha bem o seu artigo
No momento de comprar
O lojista diz que não troca
Mas é obrigado, só se esgotar
É a grande loucura dos saldos
A preços imbatíveis, arrasantes
Todos acham os preços loucos
Loucos? eram os preços antes
Os lojistas baixam os preços
Para bater a concorrência
Com tanta baixa e rebaixa
Um dia, ainda vão à falência
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120-Consumo
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Poema: "Vida de cão"
Falar da vida de cão é uma boa oportunidade para comparar a vida do cão e a vida do homem, que muitas vezes se confundem. O poema é uma visão ligeira sobre a vida do cão, mas que dá que pensar, quando pomos em paralelo com a vida do homem. Foi para chamar a atenção das semelhanças que eu fiz este poema.
O meu cão, não vai à escola
Não sabe ler, mas tem educação
Conheço pessoas analfabetas
Pessoas de baixa condição
Que até são mais educadas
Do que aquelas que lá vão
O meu cão, vive na barraca
Como vive qualquer cão
Há pessoas a viver em barracas
Tantas, que até mete impressão
Fazem as casas para os outros
Mas só para si…é que não
O meu cão, não tem carro
Telemóvel ou televisão
Coisa que toda a gente tem
Símbolos da nossa civilização
Todos a imitarem todos
Mesmo que em casa, falte o pão
O meu cão, não trabalha
Vive daquilo que lhe dão
Como muitos desempregados
Que vivem em exclusão
São novos para a reforma
Mas não arranjam patrão
O eu cão, não vota
Em nenhuma eleição
Não acredita em promessas
Como qualquer cidadão
Gosta mais duma soneca
E faz parte, da abstenção
O meu cão, não separa o lixo
Nem sabe o que é poluição
Também conheço pessoas
Que não fazem a separação
Deitam o lixo todo misturado
E até cospem para o chão
O meu cão, não é mentiroso
E nunca morde à traição
É um leal e fiel amigo
Como poucos homens são
Quanto mais conheço os homens
Mais amigo sou, do meu cão
O meu cão, não é rico
Mas é um rico cão
Gosta dos ricos e dos pobres
Sem qualquer distinção
Tão diferente dos homens
Que fazem discriminação
É tanta a coincidência
Que até faz confusão
Haver homens a viver
Tal e qual, o meu cão
Responda quem souber
Quem leva, vida de cão?
O meu cão, não vai à escola
Não sabe ler, mas tem educação
Conheço pessoas analfabetas
Pessoas de baixa condição
Que até são mais educadas
Do que aquelas que lá vão
O meu cão, vive na barraca
Como vive qualquer cão
Há pessoas a viver em barracas
Tantas, que até mete impressão
Fazem as casas para os outros
Mas só para si…é que não
O meu cão, não tem carro
Telemóvel ou televisão
Coisa que toda a gente tem
Símbolos da nossa civilização
Todos a imitarem todos
Mesmo que em casa, falte o pão
O meu cão, não trabalha
Vive daquilo que lhe dão
Como muitos desempregados
Que vivem em exclusão
São novos para a reforma
Mas não arranjam patrão
O eu cão, não vota
Em nenhuma eleição
Não acredita em promessas
Como qualquer cidadão
Gosta mais duma soneca
E faz parte, da abstenção
O meu cão, não separa o lixo
Nem sabe o que é poluição
Também conheço pessoas
Que não fazem a separação
Deitam o lixo todo misturado
E até cospem para o chão
O meu cão, não é mentiroso
E nunca morde à traição
É um leal e fiel amigo
Como poucos homens são
Quanto mais conheço os homens
Mais amigo sou, do meu cão
O meu cão, não é rico
Mas é um rico cão
Gosta dos ricos e dos pobres
Sem qualquer distinção
Tão diferente dos homens
Que fazem discriminação
É tanta a coincidência
Que até faz confusão
Haver homens a viver
Tal e qual, o meu cão
Responda quem souber
Quem leva, vida de cão?
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1-Sociedade
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Poema: O português é muito desenrascado
Não somos um país atrasado por acaso, há razões que nos prendem a esse atraso. A desorganização das nossas vidas que é um mal, fez nascer em nós a "varinha mágica" que é o desenrascanço, e que nós, orgulhosamente, apontamos como virtude, mas eu diria que: só se desenrasca, quem se deixou enrascar. Como acabar com este ciclo vicioso?
Confrontando as nossas qualidades, com os nossos defeitos, para que os vejamos e os possamos emendar, mas será possível? É esse o objectivo deste poema.
O português é bombeiro
Das suas próprias aflições
Para desenrascar em Portugal
Somos quase dez milhões
É a desenrascar que nós somos
Dos melhores que há no mundo
Mas se não fosse a Europa
Este país, já tinha ido ao fundo
O desenrascanço e a cunha
São os maiores em Portugal
Um dia o desenrascanço
Vai ser Património Mundial
O português é homem de fé
Desenrascado quando calha
Mas com tanta desorganização
Já não há santo, que lhe valha
Viver neste país desorganizado
O português trabalha e sua
Enquanto houver um português
O desenrascanço, continua
Porque será que na Europa
Somos dos mais atrasados
Chicos Espertos não nos faltam
Que até são muito desenrascados
O português é desenrascado
Para mal dos nossos pecados
Muito do seu desenrascanço
É deixar os outros enrascados
Não tem hora de partir
Nem têm hora de chegar
Deixa tudo para a última hora
Para depois, desenrascar
Agora com a globalização
Temos que ganhar juízo
Se não nos organizamos
Desta vez, lá se vai o paraíso
Confrontando as nossas qualidades, com os nossos defeitos, para que os vejamos e os possamos emendar, mas será possível? É esse o objectivo deste poema.
O português é bombeiro
Das suas próprias aflições
Para desenrascar em Portugal
Somos quase dez milhões
É a desenrascar que nós somos
Dos melhores que há no mundo
Mas se não fosse a Europa
Este país, já tinha ido ao fundo
O desenrascanço e a cunha
São os maiores em Portugal
Um dia o desenrascanço
Vai ser Património Mundial
O português é homem de fé
Desenrascado quando calha
Mas com tanta desorganização
Já não há santo, que lhe valha
Viver neste país desorganizado
O português trabalha e sua
Enquanto houver um português
O desenrascanço, continua
Porque será que na Europa
Somos dos mais atrasados
Chicos Espertos não nos faltam
Que até são muito desenrascados
O português é desenrascado
Para mal dos nossos pecados
Muito do seu desenrascanço
É deixar os outros enrascados
Não tem hora de partir
Nem têm hora de chegar
Deixa tudo para a última hora
Para depois, desenrascar
Agora com a globalização
Temos que ganhar juízo
Se não nos organizamos
Desta vez, lá se vai o paraíso
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5-Portugal
Poema: 2009, a crise dum modo de vida insustentável
Este poema começa com versos de Camões "Erros meus, má fortuna..." para abordar uma realidade com que actualmente nos debatemos: a Crise. Bem sei que a Crise não é só nossa, mas com o mal dos outros, estamos nós mal.
Porque esta crise é global e ela veio pôr a nú a fragilidade da nossa economia e consequentemente das nossas vidas.
O poema faz uma abordagem das "loucuras" que fizemos no tempo da fartura e da nossa ilusão, que o futuro ia ser sempre assim, e afinal não é. A história da formiga e da cigarra volta a repetir-se.
Erros meus, má fortuna
Ou má cabeça simplesmente
Fizemos vidas impossíveis
Que a vida, não consente
Ninguém pode dar o salto
Maior que a perna que tem
Não se pode gastar tudo hoje
Pode fazer falta, amanhã
Quem não tem asas para voar
Só deveria de andar a pé
Todos querem ser iguais
Mas a vida, mostra que não é
Navegámos na crista da onda
Parecia dinheiro em caixa
Mas a vida, como a maré
Tanto sobe, como baixa
Provámos todos os excessos
Com o entusiasmo de criança
Julgámos ter o mundo na mão
Mas a vida, é feita de mudança
Vivêmos tempos de abundância
Tivemos o que nunca tivemos
Fizemos o que não devíamos
E o que devíamos, não fizemos
Não respeitámos os limites
Atrás da felicidade prometida
Sonhámos demasiado alto
E esquecemos a própria vida
O que importa não é a queda
Há que levantar e prosseguir
Dar passos certos e seguros
Para não voltarmos a cair
Agora para enfrentar a crise
Ninguém perca a esperança
Vamos começar tudo de novo
Como nos tempos de criança
Porque esta crise é global e ela veio pôr a nú a fragilidade da nossa economia e consequentemente das nossas vidas.
O poema faz uma abordagem das "loucuras" que fizemos no tempo da fartura e da nossa ilusão, que o futuro ia ser sempre assim, e afinal não é. A história da formiga e da cigarra volta a repetir-se.
Erros meus, má fortuna
Ou má cabeça simplesmente
Fizemos vidas impossíveis
Que a vida, não consente
Ninguém pode dar o salto
Maior que a perna que tem
Não se pode gastar tudo hoje
Pode fazer falta, amanhã
Quem não tem asas para voar
Só deveria de andar a pé
Todos querem ser iguais
Mas a vida, mostra que não é
Navegámos na crista da onda
Parecia dinheiro em caixa
Mas a vida, como a maré
Tanto sobe, como baixa
Provámos todos os excessos
Com o entusiasmo de criança
Julgámos ter o mundo na mão
Mas a vida, é feita de mudança
Vivêmos tempos de abundância
Tivemos o que nunca tivemos
Fizemos o que não devíamos
E o que devíamos, não fizemos
Não respeitámos os limites
Atrás da felicidade prometida
Sonhámos demasiado alto
E esquecemos a própria vida
O que importa não é a queda
Há que levantar e prosseguir
Dar passos certos e seguros
Para não voltarmos a cair
Agora para enfrentar a crise
Ninguém perca a esperança
Vamos começar tudo de novo
Como nos tempos de criança
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66-Economia
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Poema: "As alcunhas que nos põem"
Muita gente pensará que tratar o tema das alcunhas não tem nada de poético.
De facto o tema em si não é poético, mas permite ver com outros olhos, aquilo que parece insignificante.
A alcunha depois da resistência inicial da vítima é interiorizada e automatizada de modo que os "alcunhados" já nem dão por ela, é por si só um fenómeno social muito persistente e acompanha a vida do alcunhado até à sua morte, passando muitas vezes de pais para filhos.
Pôr uma alcunha a alguém
É como pôr uma tatuagem
Quer nós queiramos ou não
Ela muda a nossa imagem
A alcunha é-nos imposta
Só a tatuagem é consentida
Uma vez, a alcunha posta
É para o resto da nossa vida
A alcunha é democrática
Tem a aceitação da maioria
Só o próprio nunca é ouvido
Estranha forma de democracia
A escolha da alcunha faz-se
Pela profissão ou aparência
Pode ser um tique, uma mania
Ou apenas uma deficiência
Ela faz parte da identidade
Duma terra e duma região
Passa de pais para filhos
Ela faz parte da tradição
Zé Maluco, não tem juízo
Zé Barbeiro corta cabelo
Zé Mudo, não diz nada
E Zé Careca, não tem pêlo
Tira-picos, Tira-dentes, Tira-olhos
Batata, Batatinha, Batateiro
Mata-burros, Mata-cães, Mata-gatos
Pé-de-chumbo, Pé-de-vento, Pé ligeiro
Muitos políticos são vítimas
Da chacota desta atoarda
Se não podes bater no burro
Bate com força na albarda
Põem-se alcunhas por gozo
Ou simplesmente por pirraça
Todos acham graça à alcunha
Só a vítima...não acha graça
De facto o tema em si não é poético, mas permite ver com outros olhos, aquilo que parece insignificante.
A alcunha depois da resistência inicial da vítima é interiorizada e automatizada de modo que os "alcunhados" já nem dão por ela, é por si só um fenómeno social muito persistente e acompanha a vida do alcunhado até à sua morte, passando muitas vezes de pais para filhos.
Pôr uma alcunha a alguém
É como pôr uma tatuagem
Quer nós queiramos ou não
Ela muda a nossa imagem
A alcunha é-nos imposta
Só a tatuagem é consentida
Uma vez, a alcunha posta
É para o resto da nossa vida
A alcunha é democrática
Tem a aceitação da maioria
Só o próprio nunca é ouvido
Estranha forma de democracia
A escolha da alcunha faz-se
Pela profissão ou aparência
Pode ser um tique, uma mania
Ou apenas uma deficiência
Ela faz parte da identidade
Duma terra e duma região
Passa de pais para filhos
Ela faz parte da tradição
Zé Maluco, não tem juízo
Zé Barbeiro corta cabelo
Zé Mudo, não diz nada
E Zé Careca, não tem pêlo
Tira-picos, Tira-dentes, Tira-olhos
Batata, Batatinha, Batateiro
Mata-burros, Mata-cães, Mata-gatos
Pé-de-chumbo, Pé-de-vento, Pé ligeiro
Muitos políticos são vítimas
Da chacota desta atoarda
Se não podes bater no burro
Bate com força na albarda
Põem-se alcunhas por gozo
Ou simplesmente por pirraça
Todos acham graça à alcunha
Só a vítima...não acha graça
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65- Alcunhas
Poema: "A geração XXL"
Numa sociedade que vive em permanente competição é frequente vermos os mais velhos a criticar os mais novos e os mais novos a criticarem os mais velhos. Este poema faz um retrato da vida das novas gerações cheias de rebeldia, prisioneiras dum consumismo que não comandam e que procuram na violência e no desregramento dos comportamentos, apresentar uma liberdade que não têm.
Uma geração criada na abundância e no facilitismo, tem dificuldade em lidar com fenómenos que lhe são externos e que não controlam. Eles nasceram no Céu mas estão a viver no Inferno, Terão eles força para se libertar?
Chamaram-lhe geração rasca
Do facilitismo e do deixa-andar
Dos chumbos a matemática
Da iliteracia e do abandono escolar
Geração dos Mac Donald's
E do telemóvel na escola
Da pizza e do hamburguer
Da cerveja e da Coca-Cola
Geração do telemóvel
Para jogar e namorar
Para exibir e divertir
Só não dá, para estudar
Geração do walkman
Da consola e do MP3
Das discotecas e concertos
Futura geração da surdez
Geração dos grafittis
Do percing e da tatuagem
Geração da roupa de marca
Da etiqueta e da imagem
Geração dos jogos da bola
Desportistas de bancada
Da claque da provocação
Do insulto e da porrada
Geração dos call-centers
Do recibo verde, precário
Do contrato a prazo certo
Sem futuro, nem horário
Geração da velocidade
Na estrada e na Internet
Dão cartas aos mais velhos
Com eles, ninguém se mete
Geração da abundância
Com a gordura à flor da pele
Geração gorda e anafada
Esta é a geração xis xis éle
Uma geração criada na abundância e no facilitismo, tem dificuldade em lidar com fenómenos que lhe são externos e que não controlam. Eles nasceram no Céu mas estão a viver no Inferno, Terão eles força para se libertar?
Chamaram-lhe geração rasca
Do facilitismo e do deixa-andar
Dos chumbos a matemática
Da iliteracia e do abandono escolar
Geração dos Mac Donald's
E do telemóvel na escola
Da pizza e do hamburguer
Da cerveja e da Coca-Cola
Geração do telemóvel
Para jogar e namorar
Para exibir e divertir
Só não dá, para estudar
Geração do walkman
Da consola e do MP3
Das discotecas e concertos
Futura geração da surdez
Geração dos grafittis
Do percing e da tatuagem
Geração da roupa de marca
Da etiqueta e da imagem
Geração dos jogos da bola
Desportistas de bancada
Da claque da provocação
Do insulto e da porrada
Geração dos call-centers
Do recibo verde, precário
Do contrato a prazo certo
Sem futuro, nem horário
Geração da velocidade
Na estrada e na Internet
Dão cartas aos mais velhos
Com eles, ninguém se mete
Geração da abundância
Com a gordura à flor da pele
Geração gorda e anafada
Esta é a geração xis xis éle
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33-Juventude
Poema: "Ontem, hoje e amanhã"
Há 40 passámos predominava a sociedade rural e de repente passamos a ser quase todos urbanos. Hoje olhamos para o passado com algum saudosismo, ao compararmos o antes e o depois. As mudanças foram tão rápidas e tão grandes, que a maior parte de nós, sente dificuldade em lidar com as novas situações, e isso torna-nos inseguros, muitas vezes desejámos voltar à segurança do passado conhecido, mas a vida da humanidade faz-se para a frente e não para trás.
As mudanças nas nossas vidas são tão rápidas, que sentimos dificuldade em acompanhá-las. É disso que fala este poema.
Ontem, cultivávamos os campos
Produzia-se mais e havia fome
Hoje, os campos não se cultivam
Há muito, e toda a gente consome
Ontem, tirávamos um curso
Que durava, para a vida inteira
Hoje, estuda-se ao longo da vida
Já não pode ser doutra maneira
Ontem, casava-se só uma vez
E divórcios, poucas vezes havia
Hoje, o casamento é a prazo
E desfaz-se, da noite para o dia
Ontem, o trabalho era de sol a sol
Só tinhamos a noite para conviver
Hoje, temos mais tempo livre
Mas passamos o tempo a correr
Ontem, passeávamos no jardim
Para ver as árvores e as flores
Hoje vamos ao shopping passear
A nossa gula de consumidores
Ontem, ninguém ficava a dever
E a palavra dada, era cumprida
Hoje, ninguém paga a ninguém
E a honra, é só coisa fingida
Ontem, fazia-se tudo bem feito
E tudo, durava uma eternidade
Hoje, faz-se para durar pouco
Tudo, é precário nesta sociedade
Ontem, havia muitos sem abrigo
Sem eira nem beira e sem comer
Hoje, juntaram-se a todos esses
Os sem tempo, sempre a correr
E amanhã como será a vida?
Como é que o futuro vai ser?
Temos tudo para viver a vida
Mas falta-nos tempo para viver.
As mudanças nas nossas vidas são tão rápidas, que sentimos dificuldade em acompanhá-las. É disso que fala este poema.
Ontem, cultivávamos os campos
Produzia-se mais e havia fome
Hoje, os campos não se cultivam
Há muito, e toda a gente consome
Ontem, tirávamos um curso
Que durava, para a vida inteira
Hoje, estuda-se ao longo da vida
Já não pode ser doutra maneira
Ontem, casava-se só uma vez
E divórcios, poucas vezes havia
Hoje, o casamento é a prazo
E desfaz-se, da noite para o dia
Ontem, o trabalho era de sol a sol
Só tinhamos a noite para conviver
Hoje, temos mais tempo livre
Mas passamos o tempo a correr
Ontem, passeávamos no jardim
Para ver as árvores e as flores
Hoje vamos ao shopping passear
A nossa gula de consumidores
Ontem, ninguém ficava a dever
E a palavra dada, era cumprida
Hoje, ninguém paga a ninguém
E a honra, é só coisa fingida
Ontem, fazia-se tudo bem feito
E tudo, durava uma eternidade
Hoje, faz-se para durar pouco
Tudo, é precário nesta sociedade
Ontem, havia muitos sem abrigo
Sem eira nem beira e sem comer
Hoje, juntaram-se a todos esses
Os sem tempo, sempre a correr
E amanhã como será a vida?
Como é que o futuro vai ser?
Temos tudo para viver a vida
Mas falta-nos tempo para viver.
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122- Sociedade
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